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Breve História do Cinema - Parte I
Texto: Marcelo Lanzoni


Irmãos Lumière
"Prezado leitor, a partir de agora está inaugurada a coluna de cinema do “Guia Bela Vista”. Aqui, falaremos sobre tudo o que for ligado ao cinema, biografias de personalidades famosas (diretores, atores, produtores, etc...), críticas de filmes, tendências, curiosidades do meio, enfim tudo o que engloba a “Sétima Arte”. E claro, para começar nada melhor do que falar um pouco sobre a história do cinema. Espero que vocês gostem."

Um abraço e até o próximo mês
Marcelo Lanzoni
Paris, 28 de setembro de 1895, final do século XIX. Foi nessa data que os irmãos franceses Auguste Lumière (1862-1954) e Louis Lumière (1864-1948) apresentaram publicamente, pela primeira vez, uma engenhoca batizada por eles de “cinematógrafo”. O aparelho de funcionamento manual (através de manivela) era capaz de registrar imagens seqüenciais e de projetá-las, também em sequência, criando assim, a ilusão de movimento.
No entanto, a grande estréia do invento com publicidade adequada e inclusive, venda de ingressos, ocorreu somente no dia 28 de dezembro do mesmo ano, ainda em Paris, no subterrâneo do “Grand Café”, situado no “Boulevard des Capucines”. Ali, frente a uma platéia motivada pela curiosidade em participar da nova experiência, o estranho aparelho foi acionado e a luz então brilhou, transpassando o celulóide pela primeira vez diante do público. O que se viu a seguir, pura mágica! Fotografias em pleno movimento e com grande realismo. O que nenhum dos presentes imaginava (muito menos os irmãos Lumière) é que aquela simples apresentação entraria oficialmente para a história, como a primeira sessão cinematográfica do mundo e que, além disso, eles haviam acabado de testemunhar o nascimento de um novo tipo de arte, o “cinema”, também conhecido por, “sétima arte”.
"A saída dos operários da Fábrica Lumière" e "A chegada do trem à Estação Ciotat" foram os dois filmes (de um total de dez) que abriam a exibição destinada ao público do “Grand Café”. Mudos, sem nenhuma história, com títulos que exprimiam literalmente seu conteúdo e de curtíssima duração (algo entre 40 e 50 segundos, devido às limitações técnicas da época), as primeiras produções do cinema não passavam de breves documentários sobre o cotidiano. Tudo bastante simples e experimental. Na verdade, ter fotografias em movimento já era algo tão fantástico e divertido, que naquele primeiro momento, suplantava a necessidade de um planejamento mais elaborado de filmagem ou de um roteiro, e até mesmo do som. A “gramática” básica do cinema somente começaria a ser desenvolvida mais adiante (e ainda assim, de forma rudimentar) durante a primeira década do século XX. O som chegaria quase três décadas depois, no final dos anos 20.
Apesar da boa recepção e do aparente sucesso do cinematógrafo, os irmãos Lumière nunca acreditaram no potencial comercial ou artístico do invento. Eles achavam que se tratava apenas de um aparelho que, algum dia, poderia vir a se tornar útil em aplicações científicas. Já “Georges Méliès” (1861 – 1938), um ilusionista também Francês e que estava presente na primeira sessão do cinematógrafo no “Grand Café”, não partilhava dessa idéia.
Méliès ficou muito interessado na invenção dos Lumière. Tanto, que acabou indo falar com os próprios. O objetivo era comprar um cinematógrafo e utilizá-lo em seus números de mágica. Mas recebeu uma negativa dos irmãos, que bateram outra vez na mesma tecla, alegando a Méliès que o aparelho teria utilidade “apenas”, para a ciência. Como entretenimento seria um desastre e traria prejuízos.
Embora não tenha conseguido dobrar o ceticismo dos Lumière, Méliès não desistiu e recebeu, algum tempo depois, um protótipo de “cinematógrafo” criado pelo inglês Robert W. Paul (industrial, fabricante de equipamentos ópticos e mais tarde, também fabricante de materiais para cinema) e a partir daí, realizou uma série de experimentos. Experimentos que o levaram a realizar os primeiros filmes de ficção da história, opondo-se ao gênero documentário, o mais comum até aquele momento.
“Viagem À Lua (Voyage Dans La Lune, Le - 1902) e “A Conquista do Pólo (Conquête Du Pôle, La - 1912) são seus trabalhos iniciais. Neles, Méliès também realiza suas primeiras incursões no campo de efeitos especiais aplicando uma série de trucagens ópticas, incluindo aí técnicas como “perspectiva forçada” e o uso de maquetes (dois recursos ainda bastante empregados no cinema atual, apesar dos computadores). Além de dirigir, Georges Méliès também foi pioneiro na utilização de figurinos, atores e cenários. Tantas contribuições à “sétima arte” lhe renderam o justo reconhecimento de “melhor cineasta do mundo”.
Outro nome importante na história do cinema é o americano “David W. Griffith” (1875-1948). Griffith ficou conhecido como o pai da montagem cinematográfica. Ele desenvolveu uma grande variedade de procedimentos que deram maior clareza e dinamismo à narrativa dos filmes. Através de suas experiências com cortes e utilização de diferentes planos de câmera (o que inclui o “grande plano geral”, “close-ups”, “inserts” e o “travelling”) os filmes ganharam maior impacto dramático. Em 1909 Griffith também desenvolve a montagem paralela. Empregada no filme “The Lonely Villa”, a técnica intercala cenas de bandidos invadindo a casa de uma família indefesa e cenas do marido correndo para salvá-la. Com a proximidade do desfecho, os planos de câmera se tornam cada vez mais curtos, o que introduz um enorme clima de suspense à trama, transformando a cena do resgate em algo absolutamente fantástico. Esse estilo de montagem também resolve outro problema, o do tempo real. Isso significa que não é mais necessário mostrar uma ação do começo ao fim para se atingir o realismo. Trechos da ação já são suficientes para dar sentido à ação completa, sem que esta precise ser filmada na íntegra. É o chamado, “tempo dramático”.
Enfim, as técnicas de montagem desenvolvidas por Griffith tornaram os filmes muito mais interessantes, permitindo histórias mais elaboradas e narrativas mais longas. Seus métodos formaram a base da teoria da montagem cinematográfica.
Continua...

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